Oposição Operária

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Vagabundo-Homem

Em Espaço Cultural, fevereiro 6, 2012 às 12:43 am

 

Entre o paralelepípedo
E o asfalto seco
Há sarjeta onde repousa
Homem de pele parda

Veste-se de paletó azul
Mantém uma das mãos
Enfaixadas em tecido
Indefinido pelas cores de suor pegajoso

Encolhe-se na posição fetal
Pés descalços
Restos de lama
Comida ardida ao rosto

Dorme, dorme profundamente
Esta criatura embriagada
Em poucas doses de teor alcoólico
Ou num Crack firme de dependência pensada Leia o resto deste post »

Soneto do Samba da Teoria

Em Espaço Cultural, julho 29, 2011 às 2:09 pm

DAS VERDADES que sei, conceituações
das realidades, aproximações
as categorias, noções, as leis
abstrações, exercícios da práxis

A produção da riqueza material
concentração por contradição nodal
uso universal dos excedentes
resultado das conversas de ontem

O método, uma síntese portanto
tanto êxito ao alçado concreto
quanto aproximar-se à essência
originalidade à aparência

Crises, vitórias, tratados, história
do finito ao infinito agora.

 

Linauro Neto 

Vozes Conscientizadas

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:33 pm

É a voz que não se cala
E não vai se calar.
Insatisfação a manifestar
E um gemido na consciência.
Vendo em toda estrutura
A superestrutura
Elaborando ideologia
Controlando mercadoria
A infra-estrutura:
Miserável-subsistência.
Força motriz construidora
Transformando em toda natureza
Qualquer forma de riqueza
E tornando-se excedente.
As coisas vão melhorar?
No amanhã que nunca virá
Só uma revolução consciente.
Uma força e outras forças
Muitas forças unificadas
São, também, mercadorias

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Vermes, Loucos e Poetas

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:27 pm

Chão que pisa menino
Saltam mulheres, homens e velhos
Reconfortando loucos, poetas e
vermes nos terreiros de Conquista

Lapsos de lembranças
Filme preto e branco
Imagens nítidas ou rabiscadas
Serenas e agressivas

Vão eles de nós todos
Corpos melados e rotos
Cabeças puras e brancas
Beleza intimista e espírito buliçoso

Memória! Curta memória
Esforça-te por ver\Lilita
Vitório Cocão, Medonho, Cafezinho e Adão
Conhecidos moradores de logradouros batidos

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Sertanejo Acorrentado

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:17 pm

Nos asfaltos e nos carrascos,
Correm sempre rodas e cascos,
Na teimosia dos viajantes,
Do radinho de pilha ao som Aiwa.

Antes se podavam brotões e
Plantava-se no pó livre ou no barro.
Hoje se derrete nos porões e nas
Celas de merda fresca dos lugares.

Cortaram-lhes as asas do sonho e do
Imaginário, mas não destruíram as
Ossadas embranquecidas dos que vagueiam
Pela terra, na esperança esquelética, da
Compostura e da razão humana.

Os últimos a bradarem pelas coisas menores,
Nunca se esquecem da pisada das correntes,
Nas solas dos pés rachados pelos grilhões
Embrutecidos e avessos à descontração liberta.

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Sem Ternura

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:09 pm

Finda a tarde e uma moça jovem
Teima em afirmar-se numa das
Mais antigas profissõés.

Roda a bolsa na esquina
Na velha batida das grandes
Cidades e das metrópoles.

Não chegou ainda aos 18
Mas já ganhou experiência
Na arte da sedução e do assédio.

De fêmea para macho afoito
E descuidado, porém carente
De afagos, carinhos e excitações
De uma sensualidade grosseira e indelicada.

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A tragédia do tamanduá (Parte II)

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 3:58 pm

Afonso Lopes Moitinho
subdelegado do lugar
pediu ao juiz da comarca
para os dois trancafiar

O público e o privado
se misturam nessa hora
é assim que funciona
o sistema desde outrora

Atendendo aos interesses
de um correligionário
o juiz expede a ordem
para o chefe mandatário

De posse do mandato
Afonso Lopes Moitinho
seguiu com trinta homens
prá fazenda Pau de Espinho

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Ferramenta Proletária

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:40 pm

Luz que acende em facho molhado
Não ilumina caminhos de pedras
Joga faiscas e clareia as pegadas
Quando muito, o necessário para não tropeçar
Que lampejo reluzente é este?
Que resistência ao sopro das ventanias?
És tu velho farol?
Brinquedo dos pés calejados
Visão tênue das aves de rapina
Cambaleando sempre a caça de nutrição
Estando sempre a embolar-se conosco
Pelas estradas da luta de classes
Defendendo por nós mesmos
Um esboço de organização

Odisseu Aranha da Roseira

Epopéia

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:35 pm

Brotaram da terra
Homens e mulheres
Que antes de mim vieram.
Foram tantas as árvores
E infinitos o s galhos
Que meu tronco segurou.
Vieram do além mar
Uma parte branca outra negra
Para misturar-se com
O que já misturado era.
Vieram lusitanos, mouros e africanos
Para compor com americanos natos
Os mais missigêneos
Dos homo sapiens.
Vieram, vieram sim,
Com brasões e linhagens,
Atabaques e tambores,
Cantando, dançando,
Pulando, sambando
E correntes quebrando.
Vieram irmãos, primos Leia o resto deste post »

Desejo

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:19 pm

Quisera eu
Levantar-te a voz
Para não ouvir-te
Quisera eu
Esbravejar-te como um cão
Defendendo o quinhão
Quisera eu
Poder servir-lhe
Sem o massacre verborrágico
Quisera eu
Sem o grito autoritário
Esticar meus sonhos
Quisera eu
Embart-te em cinzas
Soprando-te ao fogo
Quisera eu
Estabelecer a face
Esbofeteando-lhe a alma
Quisera eu
Domesticar o urso Leia o resto deste post »

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