Oposição Operária

Arquivo da categoria ‘Jornal Germinal’

O núcleo duro do capital

Em Jornal Germinal, janeiro 7, 2012 às 6:50 pm

Há um século e meio, quando Marx escreveu O Capital, a livre concorrência era, para a maior parte dos economistas, uma “lei natural”, mas o teórico alemão demonstrou que a livre concorrência gera a concentração da produção, que por sua vez, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Em meados do século XX o monopólio já era um fato. Lenine, em seu livreto “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, de 1916, pode fixar com bastante exatidão o momento em que o novo capitalismo veio substituir definitivamente o velho: fim do século XIX e crise de 1900 a 1903, quando os cartéis passaram a ser uma das bases de toda a vida econômica. Foi aí que capitalismo transformou-se em imperialismo e trouxe toda uma série de inovações conjunturais, como a formação de uma casta de rentiers, uma elite financeira ligada ao governo e a “partilha do mundo” entre conglomerados econômicos, hoje chamados de corporações. Leia o resto deste post »

Crítica ao sindicalismo: A “forma sindicato”, suas origens e seus limites.

Em Jornal Germinal, dezembro 28, 2011 às 1:08 pm

O movimento proletário é o movimento autônomo da imensa maioria no interesse da imensa maioria”. (Karl Marx e Fridrich Engels). Nesses primeiros anos de século XXI no Brasil, houve uma verdadeira revoada de sindicalistas e ex-sindicalistas para as hostes da administração do Estado, que a pretexto de preencher espaços nas possíveis brechas deixadas pela administração petista, ocupam cargos e pousam com a arrogância própria das classes emergentes sabendo que são os verdadeiros salvadores dos propósitos da burguesia quanto ao esquema de exploração do proletariado. São pessoas que até pouco tempo, pousavam como lideranças dos oprimidos. São “as Luiza Erundina, as Ideli Salvatti, as Lidice da Mata, os Tarso Genro, os Luiz Marinho ou os José Sergio Gabrielli” etc. Leia o resto deste post »

A onda árabe: O que aprender dessas experiências?

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 1:14 am

“O ontem é a memória de hoje, e o amanhã o sonho que temos agora.” (Khalil Gibran – escritor árabe, nascido no Líbano). Desde dezembro do ano passado, a imprensa internacional tem noticiado as insurreições que têm acontecido no chamado “Mundo Árabe”. Essas convulsões sociais tomaram corpo e derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito e se propagaram com uma rapidez impensada no norte da África, na península arábica e no Oriente Médio. Os países envolvidos nesses conflitos estão localizados em pontos estratégicos para o sistema do capital, pois ocorrem em regiões produtoras de petróleo, uma das principais fontes de energia para movimentar a economia do planeta; além disso, alguns desses países, como é o caso do Egito, se constituem em pontos de conexão entre continentes, pois lá está localizado o Canal de Suez, entre o continente africano e o asiático, ligando o Mediterrâneo ao Mar Vermelho, principal passagem de navios petroleiros que abastecem países da banda ocidental. Leia o resto deste post »

Os ecos da crise e as tentativas desesperadas do Capital

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:58 am

É praticamente um consenso que o capitalismo começou há alguns meses sua pior crise desde a década de 1930 do século passado, ou seja, a pior crise desde a chamada “quebra da bolsa de Nova Iorque”, fato ocorrido em 1929 e que repercutiu praticamente no mundo inteiro, tendo seus efeitos irradiados não apenas no espaço mundial, mas por anos e anos a partir do fato detonador. Pois o novo fato detonador, que nem é tão novo assim – pois vários órgãos da imprensa e mesmo nós, de Germinal, já apontávamos para o acirramento da crise que estava chegando –, chamado por muitos de “crise financeira”, é na realidade a face mais espetacular e superficial de uma crise mais profunda que perpassa o sistema capitalista costurando e amalgamando várias crises (energética, ecológica, financeira, alimentar, empregos, etc.), tendo como substrato uma grande crise sistêmica do modo de produção capitalista.  Leia o resto deste post »

O Brasil e a crise estrutural do Capital

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:41 am

De começo, torna-se imperativo afastar alguns mal-entendidos espalhados por uma imprensa comprometida com um governo também comprometido com os grandes bancos e grupos capitalistas. O primeiro mal-entendido é um chavão, repetido até a exaustão pelo próprio Presidente da República, como se pretendesse nos convencer pelo cansaço, e que consiste em afirmar que a crise é algo gerado nos EUA, não se sabe por que “irresponsáveis” processos, ou que, por meio de outro também não explicado processo, teria migrado para o resto do mundo, o Brasil incluído. O segundo chavão consiste em afirmar que o Brasil, por ter a sua economia assentada em “fundamentos sólidos”, na pior das hipóteses sofreria apenas alguns arranhões e que, passada essa “marolinha”, o país, fazendo jus ao seu papel de “florão da América”, sairia ileso e, até, mais robusto da depressão. Leia o resto deste post »

Da privatização à estatização: O discurso neoliberal

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:34 am

Os anos 90 do século XX foram marcados em todo o mundo pelo discurso neoliberal, que se propôs, enquanto projeto, ser uma alternativa “confiável” ao programa social¬democrata, que vinha sendo aplicado em vários países do mundo, desde basicamente o pós II Guerra Mundial.  O neoliberalismo propunha ser um novo projeto de saída da crise e de retomada do crescimento econômico em vários pontos do planeta. Ele foi, na verdade, um enxerto e um movimento de contra¬tendência ao desenvolvimento da crise do capital, que se via acuado e com uma máquina estatal pesada, no que se refere à participação em empresas diretamente envolvidas na produção, quanto a vários setores de serviços prestados pelo próprio Estado. Ele veio ainda alimentar a necessidade de investimentos do setor privado que tentava a todo custo alavancar um novo ciclo de desenvolvimento capitalista no mundo.  Leia o resto deste post »

O desdobramento do processo de crise

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:21 am

Num primeiro momento, situado por volta dos anos 1968-1975, teve início o ciclo descendente do crescimento de onda longa que se mantinha desde o início do pós-2ª guerra mundial. O referido ciclo compreendeu duas fases, uma de boom, de 1945 aos anos 1970, e outra de refluxo, que iniciou nos anos 1970 e se arrasta até os dias atuais. Não se trata mais de uma crise de superprodução de curta duração, como os dezenove ciclos experimentados pela ordem do capital desde 1825 até o presente, mas, ao contrário, de uma crise sistêmica, estrutural e crônica do capital, que marca os limites de sua decadência iminente. A dinâmica desta crise, que potencializa todos os traços das crises de superprodução anteriores, se nos apresenta mais ou menos da maneira que se segue. Leia o resto deste post »

A precipitação da crise mundial e a demagogia dos governantes dos países capitalistas

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:14 am

Parece brincadeira a atitude corrente e recorrente dos homens de governo dos diversos países, nos mais diversos continentes do globo, consistente em tentar fazer das pessoas comuns, como nós, de bobos ao divulgarem as opiniões mais imbecis acerca do caráter e do desenrolar da crise, com frases como: “o PIB do meu país, que hoje está a 2,5%, deverá crescer, nos dois anos próximos, a 5, 6 ou 7% ou mais ao ano”; “o meu país está imune a esta crise, porque os fundamentos da nossa economia estão sólidos”; “a crise, que foi produto da má gestão das políticas governamentais dos dirigentes dos EUA, não afetará os fundamentos de nossa economia”; tal ou qual governo eleito agora, “tomará medidas que superarão a crise”; “vamos criar 1 milhão de empregos, que nos devolverão a capacidade de consumo como medida para a saída da crise”, etc. Opiniões de puro e deplorável efeito ideológico, que não merecem nenhum respeito por parte de todos nós e que são formuladas em cima de pressupostos falsos com a única intenção de manipular a consciência coletiva. Leia o resto deste post »

As perspectivas sombrias de uma improvável saída da crise mundial do Capital

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:09 am

Na edição de número 12, o Jornal Germinal, traçando uma visão panorâmica da crise capitalista atual, chamava a atenção dos seus leitores para o caráter e a envergadura (planetária) da crise atual do capital. Com base em dados do FMI, BIRD, OCDE e outras agências internacionais—todas elas controladas pelo capital imperialista mundial—, revelava, através de uma análise de tais dados feita pelo economista portenho Jorge Beinstein, que, dos anos de 70 para cá, “… a taxa de variação anual do Produto Mundial Bruto alcançou uma média de 4,5% entre 1970 e 1979, desceu para 3,4% entre 1980 e 1989 e para 2,9% entre 1990 e 1999…”1. A análise empreendida por Germinal, respaldada por autores como Ernest Mandel e István Mészáros, entre outros, não deixava dúvida, e por isso Germinal concluía: “Esta desaceleração, que, no conjunto da economia mundial, já conta com cerca de trinta anos de duração, não passa, na verdade, de uma mesma e única crise de superprodução, entrelaçada com crises dela derivadas (financeira, monetária, cambial, etc.), iniciada com a forte recessão que veio à tona em 1973/74”. Leia o resto deste post »

Godot e a crise: “Esperando Godot”

Em Jornal Germinal, setembro 25, 2011 às 12:02 am

Samuel Beckett (1906-1989), dramaturgo irlandês, Prêmio Nobel de Literatura em 1969, é o autor da famosa peça Esperando Godot. A trama consiste numa longa e curiosa espera de dois mendigos, por um amigo comum que não comparece ao encontro marcado. Durante toda a espera os dois amigos ficam a fazer vãs conjecturas na tentativa de compreender os motivos pelos quais Godot não veio ao encontro. Os críticos e comentaristas de literatura e de teatro já gastaram muito papel e tinta tentando saber quem é Godot, com interpretações que vão desde supor que se trate de alguma pessoa conhecida do próprio Beckett, até de se tratar de Deus, o que, neste caso, teria faltado aos homens sem esperanças. Em se tratando de um autor — Samuel Beckett — que negava qualquer perspectiva ao ser humano, não é difícil concluir que Godot é a representação metafórica dessa falta de perspectiva. Godot podia ser, portanto, a espera inútil e vazia, pelo ser humano, de uma existência absurda, sem saída e sem sentido. Leia o resto deste post »

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