Oposição Operária

Posts com Tag ‘CULTURA’

Soneto do Samba da Teoria

Em Espaço Cultural, julho 29, 2011 às 2:09 pm

DAS VERDADES que sei, conceituações
das realidades, aproximações
as categorias, noções, as leis
abstrações, exercícios da práxis

A produção da riqueza material
concentração por contradição nodal
uso universal dos excedentes
resultado das conversas de ontem

O método, uma síntese portanto
tanto êxito ao alçado concreto
quanto aproximar-se à essência
originalidade à aparência

Crises, vitórias, tratados, história
do finito ao infinito agora.

 

Linauro Neto 

Vozes Conscientizadas

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:33 pm

É a voz que não se cala
E não vai se calar.
Insatisfação a manifestar
E um gemido na consciência.
Vendo em toda estrutura
A superestrutura
Elaborando ideologia
Controlando mercadoria
A infra-estrutura:
Miserável-subsistência.
Força motriz construidora
Transformando em toda natureza
Qualquer forma de riqueza
E tornando-se excedente.
As coisas vão melhorar?
No amanhã que nunca virá
Só uma revolução consciente.
Uma força e outras forças
Muitas forças unificadas
São, também, mercadorias

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Vermes, Loucos e Poetas

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:27 pm

Chão que pisa menino
Saltam mulheres, homens e velhos
Reconfortando loucos, poetas e
vermes nos terreiros de Conquista

Lapsos de lembranças
Filme preto e branco
Imagens nítidas ou rabiscadas
Serenas e agressivas

Vão eles de nós todos
Corpos melados e rotos
Cabeças puras e brancas
Beleza intimista e espírito buliçoso

Memória! Curta memória
Esforça-te por ver\Lilita
Vitório Cocão, Medonho, Cafezinho e Adão
Conhecidos moradores de logradouros batidos

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Sertanejo Acorrentado

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:17 pm

Nos asfaltos e nos carrascos,
Correm sempre rodas e cascos,
Na teimosia dos viajantes,
Do radinho de pilha ao som Aiwa.

Antes se podavam brotões e
Plantava-se no pó livre ou no barro.
Hoje se derrete nos porões e nas
Celas de merda fresca dos lugares.

Cortaram-lhes as asas do sonho e do
Imaginário, mas não destruíram as
Ossadas embranquecidas dos que vagueiam
Pela terra, na esperança esquelética, da
Compostura e da razão humana.

Os últimos a bradarem pelas coisas menores,
Nunca se esquecem da pisada das correntes,
Nas solas dos pés rachados pelos grilhões
Embrutecidos e avessos à descontração liberta.

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Sem Ternura

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 4:09 pm

Finda a tarde e uma moça jovem
Teima em afirmar-se numa das
Mais antigas profissõés.

Roda a bolsa na esquina
Na velha batida das grandes
Cidades e das metrópoles.

Não chegou ainda aos 18
Mas já ganhou experiência
Na arte da sedução e do assédio.

De fêmea para macho afoito
E descuidado, porém carente
De afagos, carinhos e excitações
De uma sensualidade grosseira e indelicada.

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A tragédia do tamanduá (Parte II)

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 3:58 pm

Afonso Lopes Moitinho
subdelegado do lugar
pediu ao juiz da comarca
para os dois trancafiar

O público e o privado
se misturam nessa hora
é assim que funciona
o sistema desde outrora

Atendendo aos interesses
de um correligionário
o juiz expede a ordem
para o chefe mandatário

De posse do mandato
Afonso Lopes Moitinho
seguiu com trinta homens
prá fazenda Pau de Espinho

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Ferramenta Proletária

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:40 pm

Luz que acende em facho molhado
Não ilumina caminhos de pedras
Joga faiscas e clareia as pegadas
Quando muito, o necessário para não tropeçar
Que lampejo reluzente é este?
Que resistência ao sopro das ventanias?
És tu velho farol?
Brinquedo dos pés calejados
Visão tênue das aves de rapina
Cambaleando sempre a caça de nutrição
Estando sempre a embolar-se conosco
Pelas estradas da luta de classes
Defendendo por nós mesmos
Um esboço de organização

Odisseu Aranha da Roseira

Epopéia

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:35 pm

Brotaram da terra
Homens e mulheres
Que antes de mim vieram.
Foram tantas as árvores
E infinitos o s galhos
Que meu tronco segurou.
Vieram do além mar
Uma parte branca outra negra
Para misturar-se com
O que já misturado era.
Vieram lusitanos, mouros e africanos
Para compor com americanos natos
Os mais missigêneos
Dos homo sapiens.
Vieram, vieram sim,
Com brasões e linhagens,
Atabaques e tambores,
Cantando, dançando,
Pulando, sambando
E correntes quebrando.
Vieram irmãos, primos Leia o resto deste post »

Desejo

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 2:19 pm

Quisera eu
Levantar-te a voz
Para não ouvir-te
Quisera eu
Esbravejar-te como um cão
Defendendo o quinhão
Quisera eu
Poder servir-lhe
Sem o massacre verborrágico
Quisera eu
Sem o grito autoritário
Esticar meus sonhos
Quisera eu
Embart-te em cinzas
Soprando-te ao fogo
Quisera eu
Estabelecer a face
Esbofeteando-lhe a alma
Quisera eu
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Balada do Mendigo

Em Espaço Cultural, julho 28, 2011 às 1:58 pm

Tu, homem de vida dura,
dormes em calçada impura,
será que tens a certreza donde
vem tanta pobreza? Na tua
tranquilidade

— imagem de cão sem dono
pela estrada do abandono

— não vês que o teu algoz
dorme em puros lençóis, acalentando com zelo
sonhos e teu pesadelo.

Tu, homem de vida impura,
dormes em calçada dura,
corpo quase moribundo sob
um cobertor imundo, pobre
forma indefinida, ribalta da
tua vida.

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