O sistema do Capital em crise: O que fazer?

Desde meados do século XIX até o começo do século XX, os trabalhadores já lutavam para ter suas organizações de classes reconhecidas e legalizadas pelo ascendente sistema capitalista. Findo este período de livre concorrência e já trilhando uma segunda fase, o do domínio do capital financeiro, dos monopólios produtivos e com taxas de lucros mais elevadas, o capital lançou as bases do que passou a denominar de Estado do bem-estar social. Esta variável consistiu na montagem de ampla infra-estrutura para produção de bens e produtos manufaturados, melhorias de salários (em decorrência de pressão dos trabalhadores) e assistência social do tipo previdência, seguro desemprego, participação nos lucros e conselhos administrativos das empresas etc. Foi o período de apogeu e glória dos governos social-democratas na Europa no pós Segunda Guerra Mundial. No entanto, a partir das décadas de 1960 e 1970, a produtividade do trabalho entrou em declínio, as taxas de lucro se precipitaram para baixo e o capital passou a conhecer a grande crise do século XX, que perdurou pelos anos 80 e 90, persistindo neste início do século XXI. A crise pôs um ponto final nos governos de tipo social-democrata da Europa ou nas frentes populares, que foram muito comuns na América Latina. Estes governos nos deixaram, porém, um legado do qual se têm aproveitado os capitalistas: é o da cooptação ou enquadramento dos trabalhadores em aparelhos e formas de associação que impedem sua luta e organização autônoma. 
Organizar-se para luta

A luta pelo direito de se organizar em associações e sindicatos sempre foi o objetivo dos operários ao longo destes anos de exploração. Reconhecidos ou não, os sindicatos foram criados e se mantiveram às custas de perseguições e intolerância contra os trabalhadores.

Hoje, quando o capitalismo passa por sua pior crise, sofrendo um agravamento de suas contradições, onde as condições que haviam permitido seu extraordinário florescer deixaram de existir, os governos da burguesia tudo fazem para que os operários em luta não ultrapassem as formas de organização tipo sindicatos.

O que terá acontecido? Os sindicatos ainda defendem os interesses da classe trabalhadora? Ou será que atualmente, limitam estas lutas ao entorpecimento da consciência de alguns trabalhadores.

Esses questionamentos feitos por trabalhadores neste período de crise é o que este panfleto se propõe a responder resumidamente. Depois de um período relativamente longo de florescimento (apesar das crises conjunturais) o capitalismo entrou em um longo período de desaceleração econômica que já perdura por mais de trinta anos.

Nestes termos, temos, portanto durante toda essa fase, uma só crise permanente, com crescimentos de fôlego curto, logo ajustados pela persistência da crise. Resumindo, a maquina capitalista está travada e os trabalhadores sofrem com salários que não cessam de baixar, ao mesmo tempo em que um número cada vez maior de famílias passam a ter desempregados em seus lares sem esperanças de arrumar trabalho.

Dada a impossibilidade dos patrões em oferecer algum tipo de alívio, as concessões antes outorgadas (no período do Estado de bem-estar social) foram pulverizadas fazendo com que o mínimo necessário para sobrevivência dos trabalhadores seja também questionável.

Diante de uma conjuntura adversa, o patronato já não oferece (mesmo sobre forte pressão dos trabalhadores) benefícios duradouros à classe operaria. Isso os defensores do capital não podem esconder, mesmo contra sua vontade. Os sindicatos não reconhecem esta realidade. Reconhecer este estado de coisas corresponderia a reconhecer sua ineficácia e arruinarem-se abandonados como um traste inútil e absoleto que são.

Por isso a classe operaria desconfia cada vez mais desses sindicatos, verdadeiros organismos de representantes do capital para encaminhar as políticas de austeridade contra a classe operaria, suspeitas cada vez mais abertas e flagrantes.

Quando a burguesia tem queda em suas margens de lucro e quer impor mais sacrifícios aos trabalhadores, os sindicatos respondem: “Nada de sacrifícios!”, mas, logo acrescentam… a menos que sejam igualmente repartidos entre trabalhadores e patrões.”

O resultado dessa farsa (representada cinicamente pelos sindicalistas) é sempre o mesmo: novos sacrifícios para os trabalhadores em proveito do patrão. Em nome de uma realidade perversa, os sindicatos conciliam com os patrões, negociando leis anti-operárias, impondo a lógica do capital às condições de vida dos trabalhadores no confronto com os capitalistas. As ações dos sindicatos ficam claras aos olhos dos trabalhadores como o que de fato é: uma traição.

Desviam as lutas dos trabalhadores para o isolamento corporativo impossibilitando a unificação das greves; canalizam a combatividade para ações ineficazes junto ao parlamento; enfraquecem a solidariedade de classes; desmobilizam e controlam. A função dos sindicatos fica clara quando vemos, durante qualquer conflito, elementos da direção tentar impedir a radicalização da categoria, usando artimanhas do tipo: a categoria não está mobilizada suficientemente; não vamos oferecer pretextos para repressão; estamos isolados, etc. Fazem na verdade o papel de sabotadores.

Sabotadores das lutas operárias e representantes não oficiais dos patrões na sociedade capitalista em crise, os sindicatos tornam-se cada vez mais órgãos de assistência social ou prestadores de serviços. Os sindicatos não são o único modo da classe trabalhadora se organizar, apesar de, historicamente, terem sido uma importante forma de luta para a classe. Agora, é uma organização típica de controle e sabotagem do processo de luta de classes.
É por isso que neste período de crise do capitalismo e diante da falência da forma sindicato, os patrões e governos não aceitam outro interlocutor da classe trabalhadora senão o sindicato. Através dos órgãos de comunicação repetem aos trabalhadores que sua organização passa pelos sindicatos.

Mas existem também muitas outras formas que, por não estarem enquadradas dentro da oficialidade estrutural do capitalismo, cavam e criam condições necessárias para aparição de formas superiores de organização. Falamos aqui dos conselhos de trabalhadores, que aparecem sempre onde começam os círculos e comissões de fábricas, para caminhar em direção a um universo mais abrangente e representativo como os comitês de bairros ou fábricas.

Não somos portadores de formulas prontas para a organização de classes. A história da luta de classes é uma fonte importante de ensinamento sobre esta questão. Dada a sua falência, sabemos que a forma de organização não pode ser o sindicato, pois ele tem existido para abafar as lutas e desviá-la para impasses e derrotas. Por isso precisamos de uma forma de atuar diferente. Nós da Oposição Operária nos colocamos nesta perspectiva.

 

Oposição Operária

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