Pela internacionalização das lutas dos trabalhadores

Dia do Trabalhador, 1º de Maio de 2005, Brasil. Desemprego crescente, juros em alta, salário mínimo que mal atende as necessidades básicas, informalidade e repressão sobre os trabalhadores. Como se fosse pouco, preparam no Congresso, nos palácios e palacetes governamentais, as reformas sindical, trabalhista e universitária. Contemplam capitalistas e grandes sindicatos, arranjam mais poder e recursos para os sindicalistas que se incrustaram no Estado, concertam uma ópera tosca que redundará em mais privatização na educação, que planeja flexibilizar direitos trabalhistas conquistados na luta e abiscoitar dos nossos alquebrados salários uma fatia ainda maior que substituirá o mal-afamado imposto sindical.


Dia do Trabalhador, 1º de Maio de 2005, Argentina, Equador, Colômbia, Peru, etc. A situação é caótica. As perdas dos trabalhadores se sucedem a cada ano e o empobrecimento e penúria da população trabalhadora expõem, a quem quiser ver, o resultado das políticas neoliberais e a conseqüência da adoção do receituário econômico estabelecido pelo FMI e Banco Mundial para os países da América Latina. Aqui, os movimentos insurrecionais existentes, por falta de uma direção organizada e determinada, não vão além da derrubada de presidentes e de sua substituição por outros que virão, na sua essência, dar continuidade à política anterior.

Dia do Trabalhador, 1º de Maio, Estados Unidos e Europa. Arrocho nos salários e desemprego em alta nos países mais desenvolvidos do mundo capitalista. A pretexto de dar maior lucratividade ao sistema, as empresas têm fechado fábricas nesses países para reabri-las em outros, cuja mão-de-obra pode chegar a ser mais de dez vezes mais barata que no país de origem. Como resultado do processo, além de desempregar trabalhadores nos centros mais dinâmicos do capitalismo, pressiona o salário para baixo, dado que o trabalho restante passa a ser disputado por um grande exército de reserva, disposto a fazer qualquer coisa por qualquer salário.

Dia do Trabalhador, 1º de Maio, Afeganistão, Iraque, Palestina, etc. Os países vítimas da fúria imperialista têm a sua população chacinada por aqueles que alardeiam promover a democracia no mundo. No jogo de cena que se estabelece enquanto se denunciam as tiranias, há uma disputa clara pelas reservas de energia do planeta, leia-se, petróleo; e uma disputa surda entre o Euro e o Dólar para se aferir, ao final, qual das divisas se constituirá como a mais forte e importante para o sistema capitalista. O “efeito colateral” dessa disputa são milhares de mortes de trabalhadores, torturas e humilhações às populações recolonizadas, gerações futuras comprometidas com doenças congênitas que já se fazem sentir, dado o volume de urânio “empobrecido” cuspido pelas canhoneiras da democracia.

Dia do Trabalhador, 1º de Maio, um mundo em crise. Um sistema que tem utilizado todos os recursos possíveis para fugir de contradições que fazem parte do seu ser. Um sistema que tem acirrado a cada dia a luta de classes, à medida que corta gastos nas empresas, que tenta aumentar os lucros dos patrões a todo custo, que corta gastos governamentais nos seus sistemas de previdência e seguridade social. Não falamos tão somente de países como o Brasil e os demais da América espanhola. Os cortes em seguridade social, os aumentos de impostos sobre o consumo, acontecem nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.

Talvez seja esse o exemplo de luta de classes mais contundente dos últimos tempos. É o furor por aviltar mais os salários e maximizar os lucros. São essas as condições que estão sendo criadas pelo mundo capitalista e que dizem respeitos aos trabalhadores de todo o mundo. As condições práticas que impõem e propiciam a nossa união chegam junto com os sinais de senilidade de um sistema que já não consegue esconder sua face assassina e terrorista. É preciso, neste 1º de maio, com o velho Marx, voltar a repetir: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!”

 

Oposição Operária

Maio de 2005.

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