Balada do Mendigo

Tu, homem de vida dura,
dormes em calçada impura,
será que tens a certreza donde
vem tanta pobreza? Na tua
tranquilidade

— imagem de cão sem dono
pela estrada do abandono

— não vês que o teu algoz
dorme em puros lençóis, acalentando com zelo
sonhos e teu pesadelo.

Tu, homem de vida impura,
dormes em calçada dura,
corpo quase moribundo sob
um cobertor imundo, pobre
forma indefinida, ribalta da
tua vida.

Tu, homem de vida escusa,
dormes em calçada suja, sai
deste teu torpor insano,
lembra-te que és humano, dá
o braço ao teu irmão na luta
contra o dragão. Quero ver
essas passeatas, com
bandeira de mulambo,
pânico da burguesia
rude em sua hipocrisia. Tu,
homem de vida suja, dormes
em calçada escusa, repudia
essa esmola
da mão que tanto te explora,
como fênix demente arrebenta
esta corrente

que te prende a este chão,
símbolo de escravidão.

José Guilherme

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