Sem Ternura

Finda a tarde e uma moça jovem
Teima em afirmar-se numa das
Mais antigas profissõés.

Roda a bolsa na esquina
Na velha batida das grandes
Cidades e das metrópoles.

Não chegou ainda aos 18
Mas já ganhou experiência
Na arte da sedução e do assédio.

De fêmea para macho afoito
E descuidado, porém carente
De afagos, carinhos e excitações
De uma sensualidade grosseira e indelicada.

É assim que as encontramos todos os dias,
Despidas e descalço com as cantadas
Desafinadas de uma melodia que não dobra o canto.

Quebrando sempre a rima e derrotado o verso
Elas desfilam desde as pontas de ruas e praças
Até as páginas policiais dos jornalecos e
Folhetins de espreme sangue.

Perambulam no sexo explícito, da fita de vídeo
E das revistas de erotismo barato,
Descompensando a cabeça de todo s os que se
Identificam com um mundo de feminilidade
Singela, forte, robusta e racional.

Por onde andam os apelos piegas das cucas fundidas,
Paranóicas e debilitadas, daqueles que em nome
Do Cristo ajoelham e rezam na esperança
Criminosa e descuidada para com o próximo?

Descrevê-la não é difícil: são brancas, negras,
Morenas, altas, magras, baixas, gordas, envelhecidas
Na puberdade e com uma beleza perdid a nos cantos.

Teimam em não enxergar um horizonte claro,
Límpido e longe do mal-estar freqüente,
Da embolação dos corpos que nem ardem e nem queimam.

Recebem em seus ventres aqueles espermas comprados
Por alguns trocados de moedas corrente, garantindo
O café com leite, pão e manteiga da refeição matinal,
Na maioria das vezes, não paga o antibiótico e
Medicamentos outros que a camisinha estourada não segura.

Vivem no verdadeiro lamaçal pantanoso
Da imundície humana e do espectro
Que rond am os improvisados leitos, onde
Abastece-se o bucho, o vestuário, o esmalte
E os cosméticos que lhe disfarça as rugas
E não embeleza a alma.

Mulheres simples do lugar não mais se abastece
De jóias e berloques, mas de tudo quanto há
De refinado que o mercado pode oferecer.

O HPV ou HIV plantado pela irresponsabilidade,
Pelo não saber, pelo descaso do corpo que a freqüenta,
São as marcas de uma vida vegetativa
Sem coma e sem UTI.

Idiotas e todos ainda permanecem na velha cantilena,
Da compra do prazer e do sexo, da mulata à loura burra
Já não se sabe mais em qual se esconde a praga,
Nem mesmo se pode esquecer daqueles que en venenaram,
Mas antes devemos ainda cuidar do ser.

Carlos Maia

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