Sertanejo Acorrentado

Nos asfaltos e nos carrascos,
Correm sempre rodas e cascos,
Na teimosia dos viajantes,
Do radinho de pilha ao som Aiwa.

Antes se podavam brotões e
Plantava-se no pó livre ou no barro.
Hoje se derrete nos porões e nas
Celas de merda fresca dos lugares.

Cortaram-lhes as asas do sonho e do
Imaginário, mas não destruíram as
Ossadas embranquecidas dos que vagueiam
Pela terra, na esperança esquelética, da
Compostura e da razão humana.

Os últimos a bradarem pelas coisas menores,
Nunca se esquecem da pisada das correntes,
Nas solas dos pés rachados pelos grilhões
Embrutecidos e avessos à descontração liberta.

A dor que sangra nos corações não é maior
Que a que corta o choro triste em água doce,
Nos abrigos rústicos e nas úmidas palafitas,
Onde um povo todo se esconde e dorme.

O ambiente é ainda o sertão urbano e seco.
Localiza-se no planeta Terra, em um de seus
Meridianos, a qualquer latitude e longitude,
Bem próximo ao seu ponto de residência, ao
Lado do seu vizinho… talvez… quem sabe…

Se solta, Zeferino, acode o teu irmão pião,
Saia de pé da máquina, livra-se daquele
Pedaço de chão, pule para o lado e derrube
De vez a cerca e as paredes do cristal-palácio,
Na certeza de que os seus não estarão mais ali.

Dos viadutos às igrejas, das praças aos pombos,
Vagueiam na infelicidade da infinita moléstia,
Nas cercanias da sua morada de papel catado,
Ao cheiro azedo dos corpos que se roçam no leito frio.

Habitam o espaço diminuto que lhes resta da geografia urbana
Do ped aço roçado de chão, dos rincões distantes
E próximos de nós mesmos, num movimento de idas e vindas
E numa solidão inerte que aborta os filhos do tempo e
Futuros baluartes de uma luta antiopressão no desejo
Da mão liberdade.

Aqueles que antes resistiam a todos os tipos de intempéries
Padecem agora no perambular frenético das geringonças e
Dos motores que habitam conjuntamente a mesma metrópole,
Aplaudindo os louros e massacrando a plebe.

Carlos Maia

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