Nós somos o Pinheirinho: Todo apoio e solidariedade aos moradores do Pinheirinho

 

Na manhã deste domingo, 23 de janeiro de 2012, numa comunidade do interior de São Paulo, as forças policiais mostraram mais uma vez como funciona uma sociedade de classes. É claro que é possível identificar o que isso representa no cotidiano de quem precisa do serviço público de saúde, da escola pública estadual ou municipal, ou mesmo do transporte público em qualquer cidade do país. Todavia, em situações como essa, vivida nessa manhã de domingo pelos moradores do Pinheirinho, a postura ativa do Estado exibe claramente o que é e qual o verdadeiro sentido daquilo que alguns chamam de “Estado Democrático de Direito”.

Não bastou o reconhecimento público de que não havia nenhuma atividade social no terreno antes da ocupação; de que a área era objeto de pura e simples especulação imobiliária por parte do seu proprietário, conhecido megaespeculador e devedor contumaz de somas milionárias em tributos; de que os homens, mulheres e crianças que edificaram a comunidade são exemplares perfeitos daqueles que, com o seu trabalho, constroem a riqueza social que fica concentrada nas mãos de quem não tem a menor idéia do que é viver em um local como esse; não, nada disso foi suficiente para impedir a demonstração de que, numa sociedade de classes, o direito de propriedade não pode ser questionado.

Nesse caso é bem interessante notar que não há qualquer argumento ético ou moral que justifique a ação da polícia, mesmo em se tratando de uma moral de classe. O que ficou demonstrado é que, independente até dos valores humanitários possíveis de serem evocados para assegurar a sobrevivência de seres humanos em condições mínimas de existência, o necessário é fazer ver a todos que o princípio maior da inviolabilidade da propriedade privada precisa ser mantido. “Custe o que custar”.

É como se a sociedade de classes, por meio do seu estado de direito, quisesse dar uma lição efetiva do seu poder, lição essa que serve tanto para aqueles miseráveis que tiveram a audácia de montar um “exército de Brancaleone”, para enfrentar a “altaneira força policial” (sic), quanto para os demais incautos, que ensaiam expressar a sua indignação em algumas das ruas e praças desse “nosso lindo e feliz país tropical”.

Em situações limites como essa, as características mais essenciais daquilo que somos e, mais ainda, do que queremos ser, tornam-se mais evidentes, e cada um de nós, mesmo que por meio do menosprezo e/ou do desinteresse, é chamado a manifestar a sua posição. Esses momentos são plenos de contradições exatamente porque minimizam os efeitos do discurso ideológico e permitem que “o real” seja desvelado em muitas das suas facetas. Uma exposição tão efetiva da brutalidade que sustenta o status quo faz também com que mais indivíduos se deem conta do que é viver numa sociedade como essa e, portanto, sejam chamados a posicionar-se a respeito do seu projeto de vida.

É exatamente por isso que nenhum de nós pode deixar de expressar de qual o lado se encontra nessa contenda. Em qual trincheira pretende empunhar suas armas já que aqui não há lugar para “pacifistas” ou “conciliadores”, uma vez que tentar esconder ou escamotear o impacto e o objetivo dessa ação é o mesmo que compactuar com ela.

Nós da Oposição Operária, independente de quaisquer que sejam as posições que orientaram a ocupação, queremos manifestar o nosso irrestrito apoio e prestar toda a solidariedade possível aos trabalhadores e trabalhadoras que fizeram da comunidade do Pinheirinho uma referência histórica da luta contra a propriedade e contra a dominação de classe. Somos também parte dessa luta. Estamos juntos!!!

Oposição Operária, 23 de janeiro de 2012.


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