A GREVE DOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL NA BAHIA CONTINUA!!!

Tendo completado mais de dois meses de greve, os professores da rede estadual de ensino da Bahia continuam sofrendo com o autoritarismo do governo que utiliza todo tipo de artifícios para tentar conter o movimento. Indignados com a falta de negociação e com seus vencimentos cortados os professores têm demonstrado grande capacidade de luta e respondem com as mais variadas formas de resistência a essas arbitrariedades. Surpreende a disposição da categoria principalmente se considerarmos que o esforço das lideranças sindicais sempre foi no sentido da desmobilização e dos conchavos. A despeito disso, o que se tem visto é muita disposição para desmascarar aqueles que chegaram ao poder se colocando como os legítimos representantes dos trabalhadores e hoje, para garantir as benesses e os privilégios conquistados, tripudiam, mentem de maneira desavergonhada e buscam todos os artifícios para desarticular e enfraquecer o movimento.

Experimentado nos processos de desmantelamento de outras mobilizações, como foram os casos recentes das greves dos professores e estudantes das universidades estaduais e dos policiais, o governo tem recorrido a todo tipo de chantagem, ameaças e arbitrariedades contra a categoria. Apelando agora para o enquadramento dos professores em estágio probatório, e principalmente REDA, que passaram a ter seus contratos rescindidos, por serem simpáticos ou participarem do movimento. Para os professores que cumprem estágio probatório a ameaça foi de que sofreriam processo administrativo por indisciplina caso não assumissem, sem nenhum tipo de preparo ou discussão de caráter pedagógico, as turmas do 3º ano do ensino médio. Além disso, há a contratação de professores substitutos para completar o quadro, sob a forma de contrato PST (IEL). Como se não bastasse, adotou um subproduto da mídia promovendo “aulões”, contratando a empresa Abaís Conteúdos Educativos & Produção Cultural Ltda., dirigida por Jorge Portugal, por R$ 1.591.774,80 na tentativa de substituir os professores e “preparar” as turmas do 3° ano para o ENEM.

Entendemos que a greve atravessa um momento crucial para definição dos seus próximos rumos. Precisamos, com urgência, construir atividades políticas que consigam levar adiante não apenas reivindicações específicas, como também unificar pautas das demais categorias em greve. Como exemplo podemos citar os Institutos Federais espalhados por todo país (onde, na maioria deles a greve é unificada entre professores, servidores e estudantes), as greves no campo da indústria, da construção civil (onde houve só no primeiro trimestre desse ano um número de mais de 150 mil trabalhadores em greve), a maioria delas associadas às obras do PAC, ou às obras da Copa, as greves no setor dos transportes, os serventuários públicos, entre outras tantas categorias que enfrentam ou enfrentaram recentemente grandes greves. Por isso, torna-se mais do que oportuno convocar outros profissionais da área de educação e da sociedade (trabalhadores, estudantes, pais etc.,) para construção de apoios ao movimento de forma mais ampliada. Aqui é importante ressaltar que em Salvador o apoio dos pais e alunos é muito efetivo. Estão nas assembléias e passeatas, sempre prestando seu apoio e solidariedade ao movimento, bem como colocando também suas pautas e reivindicações junto ao governo. É necessário intensificar a justeza do nosso movimento e denunciar mais enfaticamente a hipocrisia e o desprezo que o governo do PT, PCdoB e demais aliados nutrem pela dignidade dos trabalhadores em geral e dos profissionais da educação, em particular.

Não podemos nos enganar. Novas medidas para aterrorizar os professores ainda podem ser tomadas. Fala-se em demissão dos grevistas, jogando por terra o famigerado Estatuto do Servidor. Sabemos do que a burguesia é capaz quando tem necessidade de se impor. A história está recheada de exemplos que demonstram a falta de limites para aqueles que desejam seguir aferrados ao poder. E não precisamos ir muito longe para nos certificarmos disso. Apesar disso, temos clareza que não existe outra saída para os trabalhadores que não seja a luta.

Precisamos elevar o movimento para além da luta coorporativa sob o risco dele sucumbir com grande prejuízo para sua recomposição. O governo, desde o inicio, tem se recusado a negociar com a categoria apostando no corte dos vencimentos como forma de enfraquecer o movimento. Até agora ele tem tido como resposta o escárnio do professorado. Todavia, não nos restam muitas alternativas senão sensibilizar e buscar apoio daqueles que se organizam de forma independente.

Consideramos essencial a organização de um COMANDO DE GREVE NACIONAL E UNIFICADO, um comando constituído não apenas por profissionais da educação, mas também por todos interessados em aprofundar o debate sobre a educação pública nesse país e pela defesa intransigente da sua qualidade. Enfim, um comando que não se prenda somente na defesa de um piso nacional, mas sim na construção de um projeto unificado de defesa das condições dignas para trabalhar e estudar!

A GREVE JÁ É VITORIOSA. VAMOS FORTALECÊ-LA AINDA MAIS!!!

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