AS JORNADAS DE JUNHO – MOBILIZAÇÃO, REPRESSÃO E RESISTÊNCIA

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A forma como tem sido reprimidas as recentes manifestações que ocorrem por todo país expressa bem claramente o caráter totalitário do Estado Moderno, quaisquer que sejam os seus governantes.

Ao passo em que começam a surgir os sinais mais claros de insatisfação com o rumo das políticas de mobilidade urbana e alguns movimentos sociais ganham volume de massas centralizando demandas específicas da classe trabalhadora, como um transporte público gratuito e de qualidade, por outro lado, fica também evidente a capacidade de ação organizada do Estado para conter e reprimir as mobilizações massivas que ressurgem em todo país.

A articulação de avançados mecanismos tecnológicos de rastreamento e intimidação, com a implantação de espiões e esbirros entre os manifestantes, somada à reprodução massificada e alienante de um discurso ideológico por meio dos mais diversos veículos de comunicação, procuram criminalizar o movimento para legitimar a feroz ação repressiva que lhe tem sido imposta.

Preocupados com o risco de disseminação das mobilizações num período em que o país está sob o olhar mais atento da “comunidade internacional”; e estimulados pela manifestação histriônica dos porta-vozes do poder, os governantes, mesmo com plumagens diferentes, atuaram de maneira articulada, procurando tratar “exemplarmente” a mobilização em São Paulo, a fim de demover possíveis incautos dos seus projetos de transformação que vão de encontro aos rigorosos protocolos estabelecidos pelas instâncias de controle.

Cenas de pura brutalidade, algumas carregadas de sadismo, em seu sentido deletério, exibiram toda a essência das relações de dominação que marcam o controle da sociedade dividida em classes, expondo ainda mais claramente a farsa que chamam de “democracia”. Tentando caracterizar como criminosos aqueles que lutam, o discurso oficial, e também o que é mimetizado pela grande imprensa, têm como objetivo fundamental buscar alguma legitimidade social para a ilegalidade perpetrada. Criminalizar as mobilizações populares é sempre um artifício utilizado para não enfrentar as questões de fundo que são colocadas pelos manifestantes. Reprimir manifestações com, balas de borracha, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral, além de prepotência e autoritarismo, sob ameaças de balas de fogo, é o que deve ser tratado como crime, e o que é mais significativo, um crime de Estado.

Vale ressaltar que, para muitos trabalhadores, que vivem nas periferias das grandes cidades, a ação policial aplicada aos manifestantes é a tônica das abordagens diuturnas, que sem nenhuma legitimidade impõem o terror como forma de disciplinamento e sujeição.

Toda essa brutal repressão, primeiro em Porto Alegre, depois no Rio de Janeiro e principalmente em São Paulo, no último dia 13/06, de maneira reversa, trouxe já um resultado importante. As mobilizações, que agora ganharam novas bandeiras, expandiram-se para todo o país e carregam consigo um sem número de indignados para protestar contra a repressão sofrida, mas também por espaços de mobilidade nas caóticas metrópoles brasileiras pensadas exclusivamente para automóveis e shopping centers; contra os gastos e a corrupção reinante nos investimentos para sediar a Copa do Mundo FIFA; contra a alta da inflação e a corrosão dos salários; contra o descalabro da educação pública; contra a precariedade da assistência à saúde; contra a PEC 37; enfim, por variadas demandas ditas difusas, mas que encarnam precisamente a condição de classe daqueles que só têm a força de trabalho como forma de assegurar a sobrevivência.

Como as mobilizações ainda estão em curso e com dezenas de concentrações marcadas para ocorrer no país e no exterior, uma questão que permanece colocada é saber até quando conseguirão os atuais donos do poder manter a tantos, atordoados e manipulados por imagens e discursos de uma prosperidade falaciosa e insustentável, enquanto a lógica dessa nossa sociedade, já em fase de produção destrutiva, consome até as vísceras do que ainda nos sobra de gênero humano? Ou ainda, qual o potencial desse movimento para retirar dos oficiais e burocratizados organismos de representação, a expressão direta dos interesses imediatos da classe trabalhadora, fazendo surgir formas históricas de organização muito mais avançadas e apropriadas para uma luta mais significativa? Essa jornada de junho, ainda em aberto, mesmo com toda repressão física e ideológica que vem sofrendo, é mais um sinal de que a “nossa primavera” pode até tardar um tanto, mas, com certeza, não há como ser evitada…

TODO APOIO ÀS MOBILIZAÇÕES

CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

ABAIXO A REPRESSÃO

VIVA À LUTA DOS TRABALHADORES

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