Desnudando a Ira

cenas-vandalismo-protestos-brasil-junho-2013

Declamarei sempre
Versos a soleira
Quando eles marcharem
Pela minha porta

Fonte de inspiração macabra
Não necessita mais
Do balanço sedutor
Das meninas de frescor juvenil

Autoridade pisante
Pelas sandálias e chinelos
Sapatos finos de saltos
Com desenhos de coturnos

Fileiras de pés inchados
Com mãos calosas
Ainda se servem
Mesas postas por Mussolini

Quase um século
Embrutecido em dias
Não se abre mão
Por luvas brancas manchadas

Não importa, contudo
Que se levantem bandeiras
Coloridas em tons
Amarelos, verdes ou azuis

Porém, o naufragar
Do “barco democrático”
Não deixa de amargar
Quando as flâmulas são vermelhas

Derrubam-se estátuas
Sem pedir licença
Para escultores de arte
Que não combatem ideias e equívocos

Ofuscam-se objetivos humanos
Com projetos da Barbárie
Aliançados com santos e escribas
Na cadência de Estados de classe

Mas na frente de batalha
Há ainda quem chore
Pelo olho que perdeu
Com a cegueira doada

Dilacera membros inteiros
Espinha dorsal fraturada
Homens e mulheres aleijados
Cadeiras de rodas ao combate

Fuzis, Pistolas e bombas
Massas que rolam padecem
Troco nem sempre certo
Mas alvo que se treina acerta

Morrem mais em acidentes
Que em guerras de rapina
Morreram mais em guerra civil
Que nas insurreições acontecidas

Das penas que digitam
Aos que impunham coquetéis
Jovens que não se abatem
Jornadas de liberdade

São eles a esperança
Pelas ruas e praças
Para combater-se em continentes
Ações do capital

São assim, todavia sempre
Máscaras negras que caem
Nas trombadas dos gorilas
Do chão às copas altas

Mas aqui vamos nós
Nos debates e nas frequências
Dançando nas lutas
Com razão lógica e livre

Sentimentos sinceros
Proletários puros
Corações abertos e feridos
Sangrando emoções em luto

Amputando os sonhos
Mutilando a alma buliçosa
Soluçando borbulhantes pingos
Com lágrimas da história que passa

Odiando os de papéis pintados
Burgos gelatinosos cheios
Que nos mandam cassetetes e tonfas
No fogo das barricadas

Sensibilidade que se brota
Pelos poros corações e mentes
De uma alma que não descola
Dos que tombam pelo amor a vida

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