Luta de Classes na Ucrânia

protest ukrain

Com o fim da URSS na década de 90 do século XX, novos Estados se organizaram de forma independente, com um forte nacionalismo regionalizado. Estados como a Ucrânia, Bielorrússia e Cazaquistão acabaram por herdar – a despeito de toda dependência econômica da Rússia – parcelas significativas do arsenal nuclear da URSS. A maior parte estava em território ucraniano, que acabou por possuir 1.240 ogivas nucleares e 176 mísseis balísticos intercontinentais. Em números absolutos, só ficava atrás dos EUA e da Rússia. Por exemplo, a cidade de Chernobyl, próxima 140 quilômetros da capital Kiev, abrigava quatro reatores nucleares.

Porém, medidas pró-desarmamento da Ucrânia foram rapidamente articuladas por parte dos Estados Unidos, Inglaterra e a própria Rússia, que acabavam por temer o rumo que aquele Estado recém criado poderia dar às armas. Isso levou a Ucrânia, em 1994, a assinar um acordo no qual abria mão do arsenal em troca de garantias de “proteção e integridade territorial”. Vinte anos depois, a Rússia ocupou a Criméia, e nem os EUA nem a Inglaterra levantaram uma palha para que a Ucrânia pudesse se defender. O episódio demonstrou a importância que as armas nucleares têm no jogo político das superpotências imperialistas. O acordo do desarmamento contou com a colaboração de vastos setores da burocracia e da burguesia de Estado.

Atolada em uma crise de dimensões gigantescas, a Ucrânia destaca-se novamente no cenário mundial nos anos de 2013/2014 com a ascensão do movimento de massas – capaz de depor o presidente – muito embora, bastante contraditório no que se refere aos enfrentamentos políticos de classe. Já em 2004 a 2005, um amplo movimento anticorrupção e fraude eleitoral obtiveram uma vitória institucional, patrocinada pela ação do sufrágio universal das amplas massas trabalhadoras e do povo em geral, que ainda acreditavam em uma saída burguesa para a crise. Esse episódio ficou conhecido por “revolução laranja”.

Desde então, a luta de classes se acirrou dentro da Ucrânia, e os recentes levantes comprovam tal fato. Ao mesmo tempo que combatiam o governo pró-Moscou, na defesa de acordos com a União Européia – na perspectiva da ampliação de novos mercados e de uma associação maior com os países do euro –, as massas sedentas por mudanças foram impulsionadas a se levantar, em ensaios revolucionários, devido à crise econômica, à desigualdade social, à corrupção, ao sucateamento dos serviços sociais, à pobreza e ao desemprego. Entretanto, a ausência de uma direção consequente, de um projeto político e de formas de organizações confiáveis, baseadas nos círculos, nas comissões e nos conselhos, fez com que as massas aderissem às manipulações da extrema direita e grupos nacionalistas diversos aliados do capital ocidental e das oligarquias ucranianas de oposição.

Convém salientar, que inúmeras forças, ditas de esquerda, teimam em apoiar governos corruptos, legitimando-os dentro da estrutura política burguesa. A Ucrânia, bem como nenhum outro país do mundo, não está assentada sobre uma base material de poder e relações de produção socialistas e comunistas. Ao contrário, o que prolifera ali, é uma oligarquia autoritária, que vem aplicando o receituário neoliberal no propósito de intensificar a exploração dos operários e a espoliação das massas em geral. Contudo, todo o levante de massas na Ucrânia padeceu de uma articulação nacional e de penetração nas mais diversas camadas de trabalhadores que, quando partiam para a luta, o faziam muitas vezes puxada pela influência dos neonazistas e setores outros da direita organizada, anticomunistas de fato.

Os trabalhadores na Ucrânia não conseguiram se articular, por exemplo, em torno de uma greve geral política que garantisse, antes e acima de tudo, sua independência e autonomia de classe, o que contribuiria para o desenvolvimento do projeto político da classe operária internacional. Assim, o desenrolar do movimento, ocupando praças e ruas, faz parte, também, dessa nova onda de levantes de massas pelo mundo afora. Eles são, antes e acima de tudo, produto da luta de classes e desenvolve-se em ciclos, mais ou menos curtos, de ascenso e repouso, conforme o desenrolar das contradições políticas e da profunda crise de exaustão pela qual passa a maioria dos diversos setores do capital. É nesse processo que os trabalhadores e a juventude rebelde tentam encontrar novos caminhos alternativos à barbárie capitalista. Na nossa maneira de ver, esse novo caminho só pode ser realizado pela via do socialismo, nos moldes propostos pelo marxismo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s