A Força da Ação Institucional

Nunca é demais perguntar, para inclusive se realizar um paralelo histórico passado com o presente, o porquê de se insistir tanto no conjunto dos movimentos operários e populares, em se desenvolver tão somente a ação no âmbito da legalidade. Esta questão aparentemente simples remete a discussões do brotar das lutas operárias, perpassa todo o século XX e chega aos dias de hoje. Com todo um corpo teórico desenvolvido, no que se refere à prática e ação política em defesa da “democracia”, vai-se jogando para as calendas gregas a perspectiva de transformação revolucionária da sociedade. O conceito de revolução foi assimilado de maneira diferente desde o surgimento do movimento operário e comunista até os dias de hoje, basicamente desde meados de 1800 para cá. Período histórico curto em se tratando do processo de desenvolvimento humano e social, mas que, do ponto de vista da luta pela destruição da sociedade capitalista, não temos dúvidas em afirmar que, como método de luta, este já se encontre fracassado e, ao mesmo tempo, um verdadeiro petardo entre o desenvolvimento da luta socialista e comunista e os velhos apêndices da estrutura estatal capitalista. O que faz com que se pergunte sempre: têm interesse os setores que hegemonizam o movimento dos trabalhadores e da juventude em realizar uma revolução? Ou, pelo contrário, não passaria esta de uma falácia no discurso moderado e por demais ampliador de espaços e medidas de reformas da ordem e da institucionalidade? Se esta perspectiva, antes colocada como momentos de uma tática de acumulação de forças e de enfrentamento com a burguesia no terreno próprio dela, nenhuma serventia há para acúmulo no terreno caudaloso das novas marés revolucionárias, que ainda virão a se quebrar na costa litorânea dos povos explorados pelo capital.

Deve-se sempre afirmar que o inimigo da classe operária em particular e dos trabalhadores em geral, bem como, das chamadas minorias oprimidas, é a burguesia, seja em que chão for que habite, conjuntamente com seus aliados tecnocratas, que vivem como parasitas das diversas hostes da máquina estatal e das empresas igualmente do capital. Durante um longo período de enfrentamento e de luta socialista, experimentou-se, por diversas vezes, a ampliação da democracia  burguesa e dos espaços institucionais, tidos também como “democráticos”. Entretanto, mesmo na experiência da Revolução Russa de 1917 – onde estes métodos eram levados ao extremo – apesar de não haver ali uma estrutura parlamentar desenvolvida, como se verifica nos principais redutos do imperialismo hoje, contava-se com a lucidez de dirigentes bolcheviques, em especial Lênin, que, ao elaborar sua obra (O Estado e a Revolução), mostrou claramente o mito da democracia e do “Estado de todo o povo”, mostrou, na verdade, que não existe democracia para todos nem Estado imparcial acima das classes. Ambos representam os interesses de uma determinada classe social que igualmente detém o poder. Portanto, querer cada vez mais dividir o poder com a burguesia, ou melhor, compartilhar com ela as funções na máquina do Estado é por demais um vício que acaba por não trazer a perspectiva do poder operário socialista.

Já virou, por parte de alguns setores da esquerda do Brasil e do mundo, um verdadeiro ato de traição e filantropismo, no que se diz respeito à política e ação de massas. Esta por sua vez, não é mais vista como agentes com interesses próprios, com capacidade de caminhar sozinha, para se construírem estruturas de poder alternativo. Tampouco se prioriza a formação política da vanguarda dos trabalhadores que nasce, desenvolve-se, cresce e sucumbe sem sequer ser arranhada pela luz do marxismo, quando muito, pelas teorias deformadas e que se auto-intitulam socialistas e/ou comunistas. A institucionalidade, para os que dela se serve, pretende-se ainda pautar-se por uma ação “moralizadora, transparente e ética”, como se fosse possível de se realizar dentro do capitalismo e das suas estruturas, por demais corroídas e corrompidas, uma verdadeira moral e ética revolucionária.

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