Situação do Movimento e da Militância

Apesar de ter sido inaugurado um novo período histórico de lutas de massas – não só pelo mundo afora, mas, também, no Brasil, a partir das jornadas de junho de 2013 – o movimento dos trabalhadores, ainda é carente de um projeto tático-estratégico e organizativo, que imponha à conjuntura política e social, um novo traço e uma correspondente nova perspectiva de enfrentamento e luta contra o capital. A intervenção do proletariado na luta de classes, de forma consequente, só ocorre quando este possui uma tática e uma estratégia que seja capaz de interceptar a ação e iniciativa política da burguesia, ou seja, a sua estratégia de dominação e, por conseguinte, as suas táticas de enfrentamento e dominação de classe. Por outro lado, o projeto tático-estratégico de que os trabalhadores necessitam não se dá de forma espontânea, é preciso conhecer em profundidade o projeto da burguesia, para que, assim, possa se realizar uma necessária contraposição.

Não é de se admirar o que ocorre no movimento dos trabalhadores e da juventude em geral. Os trabalhadores cada vez mais se afastam das formas de organizações existentes, sem, contudo, esboçar de maneira duradoura novas perspectivas para a luta contra a burguesia e o seu Estado. A juventude por sua vez, ainda não consegue enxergar em profundidade o momento histórico e se vê incapaz de incorporar-se à luta dos trabalhadores contra o capital de forma articulada, no que se refere à perspectiva de uma transformação radical da sociedade.

Os trabalhadores não conseguem, juntamente com seus filhos, realizar um espaço relativamente mais amplo de desenvolvimento de propostas e ideias com conteúdo de classe socialista. Isso ocorre, devido o longo período de adaptação que o movimento dos trabalhadores teve, com respeito aos diversos projetos de conciliação de classe e de lutas puramente econômicas e institucionais, que bloquearam as perspectivas autônomas e independentes.

As lideranças, afora raríssimas exceções, vivem prostradas na burocracia de seus aparelhos sindicais, reproduzindo ali todo o conjunto de propostas, que, em nenhum momento, abalam a estrutura do Estado burguês. Mas nem tudo está perdido ao que parece. Ainda existem poucos militantes no seio dos trabalhadores que são aguerridos, às vezes confusos, política e ideologicamente falando, por não ter tido a oportunidade de aprofundar-se na concepção geral do socialismo. O esforço destes militantes tem sido grande em organizar a classe. Mas, ao mesmo tempo, tem-se mostrado de pouco resultado. As suas palavras os seus discursos não têm tido respaldo, não têm conseguido despertar para a luta consciências embrutecidas e alienadas dos milhares de explorados pelo capital.

Outra característica desta militância é a dispersão, o que a impede de globalizar uma proposta que ataque o inimigo de classe: o Estado e a burguesia. Os trabalhadores em outros tempos, conseguiram investir contra a burguesia e o seu Estado, numa perspectiva de defesa intransigente dos seus interesses de classe. Estas experiências foram, na maioria das vezes, esquecidas ou sepultadas da memória dos trabalhadores pela burguesia e os seus agentes no movimento operário. Não se fala mais no movimento dos trabalhadores de experiências como a Comuna de Paris e a Revolução Russa. Parece que estas investidas do proletariado revolucionário contra a ordem burguesa não significaram nada. Mas a verdade é bem diferente.

As experiências históricas dos trabalhadores mostraram, mais do que nunca, a possibilidade dos explorados construírem espaços de vivência social independentes da burguesia. Aqui no Brasil, por exemplo, o movimento anarquista – não vamos entrar no mérito dos limites das suas propostas políticas – educava os seus filhos em escolas independentes das dos filhos da burguesia. Na Rússia de 1917, os trabalhadores criaram um espaço de atuação política totalmente por fora das instituições burguesas. Criaram, na verdade, um espaço de militância de poder político, paralelo ao Estado burguês.

A exploração do trabalho continua e com ela a luta de classe. Não é porque os trabalhadores foram derrotados momentaneamente em suas experiências de manter um espaço próprio de atuação política que devemos cantar loas ao capitalismo e a exploração do trabalho. Os trabalhadores devem, sim, cada vez mais, buscar espaços para sua militância e para que possam desenvolver mais o seu projeto político próprio. Projeto, acima de tudo, de vida livre para os trabalhadores e seus filhos.

Não estamos em um momento revolucionário, mas, nem por isso, devemos nos contentar com as formas de organização que a burguesia oferece: o sindicato, a central sindical, etc. Pois, estas se encontram carcomidas e já caíram no descrédito de grande parte da classe trabalhadora. É perfeitamente possível se criar um espaço onde, partindo-se do mundo material, da sociedade, possamos introduzir temas, palestras, seminários, cursos, etc., para os trabalhadores e a juventude, visando, aí, a despertar a consciência crítica em um número cada vez maior. Este espaço não é absoluto e sim relativo. Ele começa no pequeno círculo de militância para se expandir num espaço social maior. Ele tem que ter ainda um nítido conteúdo de classe socialista, tanto no seu aspecto de proposta concreta de atuação política, quanto no seu aspecto ideológico e cultural. O espaço que hora propomos deverá ser, ainda, o que é mais importante, uma alternativa de militância para os trabalhadores e a juventude.

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