O Caráter da Eleições

Mais uma vez, aproximam-se as eleições no país. Mais uma vez, a classe dominante, juntamente com seus aliados oriundos do movimento operário, sindical e popular, assim como, com grande parte da intelectualidade de esquerda – devidamente cooptada e comportada para o projeto de dominação de classe da burguesia – sai à busca do voto para governar o Estado. Candidatos de cores diversas disputam cargos. Prometem, como sempre, trabalhos, trabalhos e mudanças. A eleição pelo sufrágio universal (o voto) é o expediente principal da manipulação e mistificação do Estado capitalista. A democracia burguesa mascara sempre os interesses da minoria, em detrimento das aspirações dos trabalhadores e do povo em geral. Estes são, por sua vez, ludibriados em todo o processo eleitoral, simplesmente para escolher aquele ou aquela que irá ajudar a manter o domínio de classe.

O expediente do voto no Estado capitalista não é um expediente democrático, tampouco, se apresenta enquanto recurso legítimo para os trabalhadores, que almejam uma sociedade onde deverá ser dirigida e organizada pelos donos das forças de trabalho, sem a intermediação de mandatos institucionalizados por qualquer forma de instrumentos reprodutores de parasitas, arrivistas, carreiristas e oportunistas de toda espécie.

A burguesia tenta, exaustivamente, encobrir as verdadeiras causas da exploração. Através do voto, passa-se a responsabilidade para os trabalhadores em eleger um governante que “trabalhe”, um governante que não seja corrupto, etc. Assim, logo que passem as eleições, a frustração é o sentimento mais latente, pois não se veem atendidas suas verdadeiras aspirações, não concretizadas pelos demagogos de plantão.

Na conjuntura presente, os candidatos são defensores de uma maneira ou de outra do status quo vigente.  Alguns defendem de forma clara o capitalismo. Outros ainda  acreditam na institucionalidade como mecanismo importante para acumulação de forças por dentro das estruturas do Estado. Meras reformas que buscam humanização impossível do capitalismo.

Mas não será com instrumentos postos à disposição pelo capitalismo que este poderá ser superado e derrotado. Ao contrário: as supostas reformas dentro desta ordem opressiva têm um efeito, e a promessa das mesmas apenas dissemina a ilusão de que as eleições burguesas podem alterar o estado de coisas existente. É uma mistificação.

Os eleitos serão, em verdade, funcionários do Estado, que farão de tudo para mostrar serviço. Alguns, é verdade, no limite, querem tornar a ordem mais opressiva ou usarem do mandato e do cargo para proveito pessoal. Assim, mistificarão a maioria dos eleitores trabalhadores, jovens e desempregados.

O eleito só poderá agir dentro de controles rígidos e prévios estabelecidos por leis e regulamentos fabricados pela burguesia. Nenhum governante, dentro destes limites, ou por via de métodos que os conservam, poderá alterar a ordem. Na verdade, transforma-se num dos tantos gerentes imposto pelo Capital. A nossa luta não pode ser a luta pela ilusão. A nossa tarefa não será aquela da mistificação.

No passado, os trabalhadores e o movimento operário organizado defendiam a participação e a ampliação de suas lutas, através do voto, para as diversas esferas do Estado burguês. Mas a prática e a própria história demonstraram que isso, ao invés de melhorar a situação dos setores proletários organizados, só veio fortalecer ainda mais as relações de exploração do trabalho pela burguesia e um aperfeiçoamento maior do Estado como verdadeiro instrumento de dominação da classe operária e dos trabalhadores em geral.

Portanto, o que deve ser colocado em primeiro lugar é o fim do capitalismo. Regime perpetuador da miséria material e espiritual de homens e mulheres. Regime escravizador e embrutecedor da juventude.  Regime que pode levar a humanidade à barbárie, nunca a igualdade política e social.

Os trabalhadores e os seus filhos devem negar, de vez, este prato que a burguesia oferece para o aperfeiçoamento da democracia burguesa, abstendo-se de votar ou votando nulo. Protestando, ao mesmo tempo, contra a ordem estabelecida, contra a miséria, a fome, o desemprego, a falta de perspectiva para a juventude e pelo socialismo, compromisso com a luta que ficou no meio do caminho, nos projetos e nas cabeças daqueles que se autodenominavam defensores da causa dos trabalhadores.

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