Por Uma Ação Independente

As concepções que norteiam a prática da militância dos trabalhadores, nos diversos espaços de intervenção política e social, têm origens já bastante remotas. Elas possuíram e possuem centros polarizadores de elaboração em escala nacional e internacional. Mas, elas possuem, também, influências das novas estruturas de classes em suas diversas formas de dominação política. Para ilustrar, no período do Estado novo Getulista, a burguesia brasileira iniciava uma mudança no modelo de desenvolvimento capitalista. Saindo de uma economia basicamente agrário-exportadora para investir na industrialização do país, que polarizou, a partir daí, a acumulação dos capitais monopolistas e oligopolistas. Viu-se então, a necessidade de domar o movimento operário, sindical e popular, de uma maneira segura e mais elástica possível.

A burguesia brasileira debatia-se quanto aos rumos do desenvolvimento do capitalismo, da participação do Estado na economia, da democratização do país, etc. Entretanto, unificou-se, de imediato, em torno da proposta apresentada por Vargas para o controle dos trabalhadores e da manutenção de taxas de exploração do trabalho. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) veio, neste sentido, pôr “ordem na casa” e expressava, naquele momento, normas de relações de trabalho que o novo modelo de desenvolvimento capitalista determinava.

Porém, nela foi acrescido capítulo acerca da organização dos trabalhadores, reconhecendo e dando direitos aos sindicatos – que, por sua vez, eram incorporados  ao Estado – pois estes, até então não abordados de forma coesa por parte da classe dominante, passam a ser  justamente disciplinados, juntamente com as relações entre trabalhadores e capitalistas.

Os sindicatos, até então, não obedeciam às normas de regulamentação estatal. Ainda obedeciam, na maioria das vezes, aos princípios de organização sindical libertária anarquista. Muito embora, a participação destes nas direções não predominasse poderiam organizá-los de forma autônoma e independente. Esta concepção chegou ao Brasil num momento significativo, quando da formação do operário brasileiro, através dos imigrantes (italianos, espanhóis, etc.), muitos dos quais expulsos dos seus países por atividades político-sindicais. Num momento em que, na Europa, a concepção anarquista perdia espaço para concepções outras de lutas e organização do proletariado mundial, aqui ela vanguardiava por alguns anos o processo de organização dos trabalhadores, em especial da classe operária.

Para os anarquistas, os sindicatos eram base da organização dos trabalhadores e a luta econômica imediata, a principalidade da concepção libertária, ganhando aí um destaque especial no processo de luta operária. Apesar das diferenças existentes no movimento operário anarquista, eles propugnavam a destruição do Estado com imediata construção da sociedade libertária; viam como desnecessária a implantação da ditadura do proletariado e do período de transição socialista para o comunismo; e colocavam a greve econômica como principal luta contra os parasitas burgueses.

Muito se caminhou em matéria de organização corporativa sindical até os dias de hoje. O que predomina é uma grosseira manipulação, por parte do Estado, que finge admitir uma pseudo independência dos trabalhadores, no que se refere a sua organização de classe. Contou o Estado, ainda, com a forte colaboração de pelegos e reformistas de diversos matizes, que, desde os anos vinte do século passado, estão a embalar o sono do proletariado.

A destruição deste aparato é uma necessidade histórica para que o movimento dos trabalhadores possa desenvolver-se rumo a sociedade socialista. Para isso, os trabalhadores devem acumular experiência de luta e consciência de classe autônoma e independente, negando, assim, a forma sindicato e todo e quaisquer outros espaços que levem os trabalhadores aos braços da burguesia e do seu Estado. A burguesia é a grande inimiga. É ela que usa da exploração do trabalho para acumular riquezas, que são frutos do trabalho social dos explorados pelo capital.

Foi ainda a burguesia que criou o Estado moderno, para defender não o conjunto da sociedade, mas sim, o seu capital, a propriedade privada dos meios de produção e aquilo que rouba dos trabalhadores. A burguesia criou ainda, um modo de pensar o homem e os seus problemas sociais de maneira viciada, que não leva as pessoas a questionar. Este método é o senso comum burguês, onde não há espaço para a crítica radical da sociedade, divulgado sempre na TV, através de novelas, filmes, telejornais, etc.; nos jornais e revistas da imprensa; bem como, nas escolas, nas universidades e na Igreja. Este senso comum anticientífico, esta maneira de desenvolvimento do pensamento deve ser quebrada desde já. O que tem que ser notícia é o movimento dos trabalhadores e a sua ação na conjuntura, a sua criação artística e cultural e o seu projeto socialista.

É assim que fazemos um chamamento a todos aqueles que estão no campo de combate às forças do capital. Para que venham engrossar fileiras conosco, numa perspectiva de se trabalhar a consciência de forma científica e a formação de uma nova vanguarda para a classe operária, os trabalhadores e a juventude como um todo. Lute em toda sua plenitude de forma criativa e emancipadora.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s