A Conjuntura em Movimento

Avaliar a conjuntura hoje só faz sentido, e é devidamente possível, se levarmos em conta as marchas e contramarchas dos movimentos políticos e sociais que ocorreram e ocorrem no Brasil e no mundo. A entrada em curtos momentos de repouso, de um desenvolvimento em luta, em círculos, ao que parece e tudo indica não se apresenta como argolas fechadas, que se entrelaçam umas nas outras como elos de uma corrente inquebrável. São círculos de desenvolvimento abertos, cada vez mais amplos e radicais, como um processo de enquadramento espiral, que parte de um ponto infinito no espaço das lutas sociais de classes, para um salto, cada vez mais abrangente, de países para continentes e assim vai pelo mundo afora.

As motivações são as mais variadas nestes dias de aprofundamento da crise do capital. Que é quem vai levar, em última instância, as massas a se levantarem. Elas estão assim – por conta da crise – num estado de predisposição para o levante contra a ordem e o status quo vigente, devido, também, a um longo período de dominação absoluta do capital, em que prevaleceu, além de todo o processo de exploração de classes próprio do capitalismo, um estágio por demais avançado de putrefação violenta de todo o tecido social. O que, por sua vez, imprime ao conjunto dos trabalhadores e das massas exploradas, um grau de opressão poucas vezes visto na história, quer seja em países ditatoriais tirânicos ou mesmo nas ditas democracias, a exemplo das duas maiores economias do mundo capitalista, que se deparam agora com movimentos de massa de grandes proporções.

Na China e EUA, foram detonadas por motivos os mais diversos possíveis,  mobilizações que bateram à porta e adentraram os centros econômicos mais dinâmicos do capital em crise. As formas de lutas também se diversificaram. Vão desde a ocupação e acampamentos em Hon Kong às vigílias e confrontos diretos ao anoitecer de várias cidades norteamericanas, que protestam pela morte de um jovem negro assassinado por um policial branco. O que teimamos em afirmar é que estes confrontos de massas, cada vez mais amplos e radicais,  haja vista, os exemplos da Grécia, Espanha, Egito, Tunísia e outros, não seriam possíveis sem uma realidade objetiva concreta, favorável ao levante de homens e mulheres, na sua ampla maioria formada por jovens sem perspectiva de futuro e totalmente à margem de projetos do Estado.

A crise é assim, estabelecida como um movimento de conjunto, que parte da estrutura de funcionamento da ordem capitalista, com mais exploração, mais acumulação, mais desemprego, mais miséria e mais fome. Adentrando-se nos meandros da superestrutura do Estado, onde proliferam os mais variados tipos de corruptos e corruptores, bem como toda espécie de vigaristas que vivem a engabelar o povo com discursos e delongas sobre a ética, a moralidade e a jogar para toda mídia viciada (jornais, revistas, internet, TV, etc.), a propaganda de um Estado imparcial e justo. Tamanha mistificação e manipulação só se tornam possível, em momentos de recuo das atividades das massas, mas que, no momento seguinte – o do confronto aberto de classe – é possível se passar a limpo a história da luta de classes na ótica dos trabalhadores.

O momento agora é de começar a afiar as ferramentas. Preparar através da formação e da educação política séria e classista, para o momento da organização, propaganda e agitação. Animando os trabalhadores (ocupados e desempregados), com todas as formas possíveis de divulgação de uma proposta e/ou projeto que eleve o grau de consciência das massas. Numa perspectiva realmente socialista e não de remendos sociais históricos atípicos, onde o que se proliferou foi a resistência avassaladora do capital, transmutado em formas específicas do poder de Estado. O socialismo vive hoje em formas novas de organização e lutas e, a partir daí, se consolidará, de país em país, internacionalmente, até a vitória final.

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