O Tripé da Conjuntura

A conjuntura política social do Brasil se desdobra neste momento em três grandes tendências. Uma em defesa do statu quo vigente composta pelo PT e seus aliados que formam o governo de plantão. Outra, composta pela oposição com um discurso raivoso, porém, comportada na ação institucional, representadas pelo PSDB, com atitudes isoladas de um PSOL e um PSTU. Estas duas tendências se encontram em uma unidade contraditória que consiste na dicotomia governo/oposição sem abrirem mão da defesa da ordem capitalista. Portanto, a manutenção do sistema de exploração vigente unifica estas duas tendências apesar da farsa do jogo eleitoral.

A terceira tendência é o movimento estabelecido a partir das jornadas de junho de 2013 e das mobilizações da Copa das Confederações que, a despeito da ferrenha repressão do Estado, ainda é possível se ver em ação no Movimento pelo Passe Livre (MPL), no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e outros. Estes movimentos se diferenciam das duas tendências anteriores por se pautarem pela autonomia e independência, defendendo os interesses dos trabalhadores e demais camadas oprimidas da sociedade.

As duas primeiras tendências estão sendo articuladas com o intuito de cooptar parcelas significativas da população para respaldar projetos igualmente burgueses. Nesse intuito, surge inicialmente o movimento puxado pelo PT, CUT, MST e UNE. No mesmo sentido, aparece outro movimento alavancado por parcela do PSDB e aliados, que estão a defender propostas tais como o impeachment da presidente Dilma, a volta dos militares ou simplesmente a renúncia da presidente. A terceira tendência representada pelos referidos movimentos sociais autônomos se recusa em enquadrar-se aos engodos do Capital, seu Estado e governos.

Uma questão central desse panorama no qual se situa as três tendências acima descritas é o fato de que o campo capitaneado pelo PT e seus aliados não consegue estabelecer uma situação de governabilidade confiável e duradoura no que diz respeito ao estabelecimento de um pacto político, inerente a esfera do poder de Estado, visando o combate à crise. A isso se acrescenta outro elemento: a conjuntura apresenta uma forte tendência de desmoralização do Estado com os recentes escândalos na maior empresa estatal do país, a Petrobras, bem como dos organismos envolvidos nas apurações e punições dos responsáveis pela escancarada corrupção. Esta realidade tem favorecido na criação de um clima ascendente à privatização dessa estatal. Neste sentido, podemos afirmar que o PT e seus principais aliados, acabaram por emprestar quadros para serem fritados e devidamente queimados no processo. Tendo sempre o cuidado de blindar partes a serem aproveitadas em conjunturas futuras, como é o caso de Lula, por exemplo.

Cabe acrescentar que a base mais volátil de apoio ao governo é aquela que se situa nas hastes do velho, matreiro e fisiológico PMDB. Esta agremiação partidária, de muito tempo, vive pulando de galho em galho, na tentativa de se manter enquanto verdadeiro saco de gatos oportunistas e sem nenhuma definição quanto aos objetivos programáticos estratégicos. Não é que isso também não ocorra nos demais partidos, mas, o fato é que no PMDB este fenômeno se dá com maior intensidade. Muito por conta de que a “unidade” existente neste partido se situa no campo do quem dá mais. Assim, em toda sua trajetória apoio e acordos foram construídos e devidamente rompidos. Desta forma, ele vai de mansinho deixando o governo para se estabelecer em outra esfera de articulação do poder político. Isso tudo começou nas últimas eleições quando parcela considerável deste partido deixou de apoiar as candidaturas do PT e do seu lastro de alianças. Agora, com maior força na Câmara e no Senado, o PMDB está retirando o apoio ao governo Dilma, preparando o movimento de ruptura final do vice-presidente e dos ministros de estado peemedebistas.

Mas nem tudo é um mar de rosas para o PMDB. Além de contar em seu seio com velhas, viciadas e queimadas raposas da política brasileira, esse partido não tem se apresentado enquanto perspectiva confiável para parcelas da classe dominante, que acabam por ficar observando seus movimentos com bastante cautela. Expoentes mais experientes do partido têm se posicionado no sentido da necessidade deste voltar às ruas, vendo neste ato o mecanismo pelo qual deva estabelecer as novas correlações de forças. No entanto, o PMDB tem medo. Não se trata nesta conjuntura de um período como as diretas já ou do impeachment de Collor de Melo. Pois, o aprofundamento da crise se dá de maneira irreversível para o capital, a despeito de pequenos picos de desenvolvimento, aqui e acolá, que logo se precipitam para baixo, numa escalada regressiva de uma depressão de exaustão global.

Por conta disso é que não se pode mais prever, de forma ordeira e pacífica, o desenrolar dos movimentos sociais, a não ser é claro, daqueles movimentos oficiais e oficiosos, como também, àqueles movimentos formados nos espaços próprios da pequena burguesia e da chamada classe média, ricos em discursos pseudo-morais e éticos, portadores de um nacionalismo tacanho, numa tentativa alucinada de se estabelecer novas bases de apoio a projetos burgueses. Hoje a conjuntura é outra e os movimentos novos que se apresentam emanam da crise de exaustão do capital e de seu aprofundamento. São movimentos latentes e brotam constantemente das contradições e das relações sociais do Modo de Produção Capitalista. Estes movimentos vão desde uma luta contra o aumento das tarifas de transporte público e moradia à paralisação de caminhoneiros e de operários metalúrgicos na resistência ao desemprego.

É lógico que se tratando de movimentos mais amplos que os estimulados pela classe operária nos finais dos anos 70 do século XX eles carecem ainda de um núcleo polarizador capaz de espalhar toda a sua energia para o conjunto dos trabalhadores, da juventude, dos artistas e produtores da cultura como um todo. Nós somos parte integrante deste núcleo que a mais de trinta anos vem realizando balanços exaustivos acerca dos desdobramentos conjunturais, intervenções nas lutas e não abrindo mão do direito da democracia operária para o desenvolvimento de um projeto sério de construção revolucionária do socialismo.

 

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