A Agonia de um Rio no Brasil

O desastre irresponsável do rompimento das barragens de rejeitos do processo de extração de minérios, em Mariana (MG), é reflexo da exploração gananciosa do capital que quer acumular lucro a custos cada vez menores, desrespeitando os trabalhadores, os moradores, o meio ambiente (fauna e flora terrestres e aquáticas), burlando e corrompendo as fiscalizações frouxas do Estado burguês. Com a queda nos preços internacionais dos minérios, a produção foi intensificada afim de manter o nível de lucratividade do empreendimento, pela Samarco, que é controlada pelas gigantes do mercado mundial, Vale do Rio Doce, do Brasil e BHP Billiton, mineradora e petrolífera anglo-australiana, provocando grande aumento no volume de rejeitos, não suportados pela barragem de Fundão.

As informações sobre a tragédia ecológica não são precisas, porém as consequências são visíveis, pelos depoimentos de moradores ribeirinhos e imagens dramáticas propagadas pelo mundo, podendo, inclusive se tornar um crime ambiental internacional, uma vez que a chamada lama tóxica atingiu o oceano, prevendo prisões perpétuas, pena de morte, sequestro de bens internacionais, apesar de considerarmos pouco prováveis. Junto com os rejeitos da exploração mineral foram embora 317 anos de história do distrito de Bento Rodrigues e dentre seus 600 moradores, 12 foram mortos e 11 continuam desaparecidos. Além de monumentos e igrejas de grande importância cultural, as moradias, animais de estimação, os bens dos moradores, também seguiram com a lama tóxica, composta de ferro, cromo, cadmio, arsénio, mercúrio e urânio.

Os ribeirinhos de toda extensão dos mais de 700 km do Vale do Rio Doce sofrem as consequências da tragédia, como falta de água potável, peixes para alimentá-los, perdas de habitações e de áreas cultiváveis. Se não bastasse a seca que assolava a região, a lama pegou o rio com seu menor volume de água dos últimos 100 anos. Especulações dão conta que a recuperação do rio pode demorar 100 anos, entretanto o famoso fotógrafo e otimista Sebastião Salgado, natural de Aimorés (MG), que apresentou ao governo federal um projeto de recuperação, que envolve o reflorestamento do Vale do Rio Doce, restabelecendo 300 nascentes, das 377 que existiam, em 20 anos o rio estará revitalizado.

Entretanto, afirmamos que dentro do atual modo de produção a tendência é uma degradação cada vez mais acentuada, pois os capitalistas que se utilizam do rio para suas acumulações não vão ceder terras para serem reflorestadas. O DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral encontra-se inteiramente sucateado, com número reduzido de funcionários para as fiscalizações de empreendimentos de exploração de minérios, porém não é por acaso, uma vez que o setor de exploração mineral destina grande volume de recursos para financiamento de campanhas políticas, no Brasil. Com isso, as multas ambientais aplicadas não passam de valores simbólicos em se tratando da expressão da tragédia, considerada a quinta maior do planeta.

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