Nem Dilma, Nem Impeachment: Vamos Ocupar as Ruas!

O Estado não se furta em atender os anseios da burguesia, seja emprestando dinheiro com juros subsidiados, distribuídos pelo BNDES às empresas, isenção de impostos para as indústrias (IPI),  manutenção de taxas de juros elevadíssimas para agraciar os banqueiros (os lucros do Bradesco em 2015 foram de quase R$ 18 bi de reais) negligenciando de forma criminosa a fiscalização sobre algumas atividades como no caso das mineradoras (diminuindo os custos com segurança e manutenção, o que  contribuiu para provocar a tragédia de Mariana), seja contribuindo e permitindo a criação de esquemas de corrupção como o que veio a público com a operação Lava Jato, na qual políticos, grandes empresas, lobistas e todo tipo de laranjas fizeram a festa desviando bilhões de dólares da Petrobras. Isto para ficarmos apenas no caso mais recente de corrupção que ainda pulula nos grandes órgãos de mídia.

Noutra ponta, para os trabalhadores, resta a precarização das condições de trabalho e emprego, arrocho salarial, retiradas de direito ou imposição de condições que dificultam o acesso ao Seguro Desemprego. O desemprego volta a grassar e a inflação galopante corrói ainda mais os combalidos salários.

Na Câmara Federal e no Senado tramitam propostas que atacam diretamente os direitos dos trabalhadores como o PLC 30/2015, que libera a terceirização inclusive na atividade-fim das empresas, a Lei Antiterrorismo (PL 2016/2015) que criminaliza os movimentos sociais, a flexibilização do conceito de trabalho escravo (PLS 432/13) e a redução da idade de trabalho (PEC 18/2011), dentre outras.

O governo estuda implementar, ainda no primeiro semestre deste ano, a reforma da previdência que irá dificultar, e em muitos casos tornar impossível, o acesso dos trabalhadores à aposentadoria e somando-se a essa “maldade” existe a possibilidade da volta do quase finado “imposto sobre transações financeiras”.

Neste contexto, é preciso enxergar o aumento das passagens, a exacerbação da exploração contra os trabalhadores como uma consequência da crise de exaustão do Capital. Portanto, tais ataques, longe de apontarem meras falhas de condução de políticas econômicas, refletem a extensão da crise, que tende a se aprofundar com a queda nas taxas de lucro e com o crescimento do desemprego.

A burguesia, como já vimos, reagirá aumentando a taxa de exploração da força de trabalho. Nem o governo Dilma e seus constantes ataques à classe trabalhadora, nem o impeachment da presidenta da República, constituem soluções para os trabalhadores. Em verdade, uma coisa ou outra se apresenta como continuidade da exploração capitalista.

Retomemos o que foi dito nas jornadas de junho de 2013: é preciso consonância e integração das manifestações de todas as cidades. É preciso insistência da luta, pois, só assim aprenderão os insurgentes, através das negações que o sistema burguês lhes imporá.

O Estado tenta e tentará barrar o movimento com a força bruta da repressão policial. Mas, caso o movimento ganhe corpo e avance, o Estado acenará para o atendimento de bandeiras mínimas, como a redução no preço das passagens do transporte ou com perfumarias como plebiscitos sobre reformas desprezíveis de um sistema político podre por natureza, apenas migalhas frente às necessidades das populações e possibilidades materiais existentes. Nunca cederão pacificamente, mas é preciso lutar pela gratuidade de tudo o que é necessário, de todos os serviços públicos, pela gestão popular de todos os meios da vida coletiva, pela organização autônoma nos locais de moradia, trabalho ou  de estudo. O movimento contra o aumento e pela gratuidade das passagens e as demais lutas econômicas imediatas só farão sentido na medida em que apontarem para uma transformação das formas de organização, criando novas formas autônomas como os círculos, as comissões de base e os conselhos.

Brasil, fevereiro de 2016.

Anúncios