Cercanias

Vá habitar
Sem cercas
Muros
Paredões
E muralhas
Das moradias
Mais próximas

Para que
Assim Possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Não se tranque
Em pavor
Com medo
Dos vizinhos
Que se trancam
De você
Amedrontados

Para que
Assim possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Não cante loas
Aos deuses
Para mendigar
Espaços seguros
Quando o cerco
Está fechado
Além do quintal

Para que
Assim Possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Não tema
Pela grade
Que protege
Tua vidraça
Das mãos
Trêmulas
Do vício moribundo

Para que
Assim possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Quanto à violência
Que se abate
No campo
Na cidade
No teu lar
Faz parte
Da tua guerra

Para que
Assim possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Às vezes
Tem-se que
Provar da fruta
Passada
Para se sentir
O Gosto Amargo
Da vida segregada

Para que
Assim possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Não deixem
Que lhes abatem
Em guetos
Nem em ruas
Praças e becos
Escutem as vozes
Do novo tempo

Para que
Assim possa
Ter os
Primeiros
Contatos
Com a
Liberdade

Carlos Maia

28 de fevereiro de 2016.

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