CASSINO ELEITORAL

Tema recorrente nas hordas burguesas, a eleição ganha as páginas da mídia do país no apagar das luzes de 2016, pouco depois da do último outubro para a escolha de prefeitos e vereadores sobre a qual produzimos a presente matéria. Agora, indiretas, na sucessão do presidente “tampão”, se este for de fato cassado, conforme os ditames imperativos da ordem constitucional estabelecida, legitimada pela casta política envolta em manobras espúrias que açambarca todos os sujeitos que protagonizam a espetacular encenação montada nas esferas dos três poderes. A burguesia e seus colaboradores nutrem-se do produto do espasmo dos organismos que se dilaceram no picadeiro de desideratos que é a sua vida fútil e cínica.

No último “descalabro eleitoral” a que assistimos nesta parte da América abaixo do equador (onde “não existe pecado” − talvez na parte de cima, quem sabe, haja – ou não, onde em outra latitude e magnitude rolou em número ($) e grau ($) a avalanche Trump), a disputa ocorrida em outubro de 2016 por uma vaga no cobiçado aparato dos executivos e legislativos municipais fez inveja à trapaça e negociata nem visível nas casas de apostas do submundo do crime organizado e legalizado que operam as jogatinas transcontinentais. O cassino eleitoral que aqui foi aberto e a cifra movimentada atiçaram a sanha dos desesperados conhecidos e sabidos dilapidadores do dito e redito silogismo “recursos público”: a correria dos serelepes apostadores de plantão fizeram suas efusivas apostas!

Segundo a Folha de São Paulo, de 16/10/2016 (num comentário sobre o segundo turno do “descalabro eleitoral”), “O que estará em ‘jogo’ nas urnas no dia 30 de outubro é a influência direta sobre uma população de 44,5 milhões de pessoas (22% do país) e receitas orçamentárias anuais de ao menos R$ 166 bilhões.”

À fórceps (dispensadas as baionetas?!), a burguesia, no primeiro ato da jogatina − que foi o primeiro turno do “descalabro eleitoral” − pariu parte de sua superestrutura (executivo e legislativo municipais) e, num segundo momento, consagrou a sua hegemonia ao vomitar do ventre verdugo a outra parte da súcia que ficara contida na interrupção do primeiro momento de um parto pecaminoso (?) que agora se consumara por completo, outorgando a ela o assalto às burras do Estado. Nesse “descalabro eleitoreiro” avalizado pelos “progressistas” reformistas colaboradores de plantão, tendo o PT, PSOL, PC do B e PSB sua representação máxima nessa esfera política como testa de ferro, as excrescências burguesas se reverberam universalmente. Aqui e acolá o “descalabro eleitoral” consagra uma hegemonia reacionária e opressora, ora nacionalista, ora liberal, do governo burguês com a complacência e colaboração dos falsos representantes da classe trabalhadora, personificados nos signatários da famigerada social-democracia que, fragorosamente rechaçada, ainda se serve e se nutre como abutres desse instrumento demagógico e viciado para eleger seus parcos candidatos e selar a aliança parlamentar e governamental com a classe dominante. Mesmo obrigado a assinar esse contrato social espúrio, o eleitor disse não ao fatídico acordo lesa-democracia e, em grande número, se absteve de votar. Nos maiores colégios eleitorais, a soma de votos nulos, brancos e abstenções superou a votação dos eleitos. A banca de negócios em que se tornou a eleição como garantidora e legitimadora do poder − e é assim que funciona nesse sistema − revelou situações inusitadas e reveladoras desse engodo, como doações milionárias em que um único vivente doou 19 milhões de reais − segundo declarou um renomado magistrado − quando o teto legal é 10% da renda anual do doador! Mesmo atendida à exigência “legal”, evidencia-se a máxima capitalista de acumulação e concentração de riqueza!

Repudiamos e negamos as eleições burguesas bem como qualquer outro processo que dê legitimação à ordem social capitalista sustentada nos seus diversos instrumentos de dominação, onde os parlamentos e os executivos aos quais os eleitos irão servir constituem parte integrante. A classe trabalhadora deve trilhar o seu próprio caminho independente e autônomo, construindo suas organizações políticas e formas de luta forjadas nas experiências históricas e no clamor das massas em ebulição onde possa exercer a verdadeira e autêntica democracia proletária! A história deixa-nos o seu legado, cujo marco maior de resistência e recrudescimento foi a Comuna de Paris em 1871 e a Revolução Bolchevique em outubro de 1917.

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